segunda-feira, 7 de julho de 2014

Bagaço da azeitona pode virar matéria-prima para biocombustível

Bagaço de Azeitona
fonte: http://www.dw.de
Cientistas e engenheiros da Universidade Tecnológica de Viena estão trabalhando numa brilhante estrutura de aço de quase dois andares. Trata-se de uma "usina de gasificação" de nova geração, tecnologia em que a universidade foi pioneira, algumas décadas atrás. Ela transforma biomassa em gás, usado na produção de eletricidade na Áustria e em outros países europeus.
O problema atual dessa fonte energética é a aquisição da biomassa para alimentar as usinas. Devido ao contínuo aumento dos preços de madeira e das plantas empregadas na produção de biocombustível, a tecnologia não consegue competir com outros combustíveis renováveis ou com os fósseis. Assim, a União Europeia está patrocinando um projeto para transformar em biocombustível o bagaço resultante do fabrico de azeite de oliva.
O pesquisador Stefan Müller integra a equipe da Universidade Tecnológica que explora esse potencial energético. Ele alinha sobre sua mesa garrafas com resíduos de azeitonas: alguns são facilmente identificáveis como restos dos frutos, outros mais parecem areia de praia escura. Essa "areia", que Müller denomina "olivina", é a matéria-prima das centrais de gasificação.
"O operador do moinho de azeite quer tirar o que puder da azeitona. Ele faz de tudo para extrair o máximo possível", comenta o pesquisador. "No final, sobram esses resíduos, onde quase não há mais nenhum óleo. É como o lixo dos moinhos de azeitonas, mas ainda contém uma grande quantidade de energia."
Rico em energia
Equipe de Müller desenvolve uma usina de gasificação
O projeto Phenolive, cofinanciado pela UE, consiste em aproveitar até a última gota o potencial das azeitonas. Os cientistas do laboratório Phenobio, uma companhia startup iniciada em 2012 na Universidade de Bordeaux, também têm um papel fundamental. Eles identificam os compostos químicos que restam no bagaço, após a retirada do azeite e antes da transformação em energia.
"O laboratório é especializado na análise de compostos fenólicos, em diferentes tipos de materiais brutos, para utilização em produtos como cosméticos, suplementos alimentares ou alimentos", relatou o diretor do Phenobio, Xavier Vitrac, ao site francês LaBiotech.
Segundo ele, extrair os polifenóis adiciona valor ao bagaço da azeitona. As substâncias são usadas como antioxidantes em alimentos e cosméticos. Segundo o website do Phenolive, dentro de alguns anos esse mercado deverá movimentar na Europa 290 milhões de euros anuais.
"Somos bem conscientes quanto à utilização dos recursos que temos. Por isso, esses materiais residuais estão em foco agora, para os empregarmos em produtos de valor elevado", comenta o pesquisador Müller.
As pequenas proporções da usina de gasificação que está sendo desenvolvida na universidade em Viena permitem que ela seja montada in loco, em grandes plantações e moinhos de azeitonas. A energia produzida deverá ser consumida dentro das próprias fábricas de óleo de oliva.
"É importante que se use a energia próximo à usina onde os resíduos são gerados. O plano é cobrir a demanda de eletricidade e aquecimento dos moinhos com a gasificação do bagaço", enfatiza Stefan Müller. Ele acredita, ainda, que o projeto liberará os fabricantes dos custos da eliminação dos resíduos de produção.
Também combustível líquido
Usinas produzem energia na própria região das plantações
O bagaço da azeitona já está sendo queimado como combustível em algumas regiões da Europa. Contudo a intenção de Müller é analisar o resíduo e investigar exaustivamente seu potencial energético. Ele pode ser também usado como adubo ou fertilizante.
A equipe de pesquisadores menciona, ainda, suas pesquisas para a produção de combustível líquido a partir de biomassa. Isso permitiria à indústria de azeite de oliva abastecer seus veículos de transporte com combustível produzido a partir do bagaço de azeitona.
Uma usina de gasificação em Güssing, Áustria, já está produzindo combustível líquido para veículos. "A ideia é que seja uma biorrefinaria. É a produção de combustíveis do futuro, a partir de fontes renováveis", diz o engenheiro Johannes Schmid, que tem como meta declarada provar que refinarias não precisam queimar combustíveis fósseis.
A Europa produz 80 milhões de toneladas de bagaço de azeitona por ano, segundo o Phenolive. Se os cientistas do projeto tiverem sucesso, o empreendimento poderá impulsionar o setor de produção de óleo de oliva e reduzir significativamente seus custos, sobretudo de energia.

Esporão lança primeiro azeite biológico

Esporão

O Esporão, produtor de vinhos e azeites no Alentejo e Douro, tem adoptado práticas agrícolas sustentáveis, com o objetivo de proteger os recursos naturais, garantindo a qualidade dos solos e plantas, e consequentemente, dos produtos.
Tanto na vinha como no olival, o Esporão implementou um conjunto de boas práticas, que lhe permitiram certificar já 146 hectares de vinha, olival e laranjal em modo de produção biológica entre as suas propriedades no Alentejo e Douro. Um processo contínuo que conta já com mais 72 hectares de vinha em processo de certificação de agricultura biológica.

O azeite, que é agora apresentado, provém dos 80 hectares de olival certificados para produção biológica da Herdade do Esporão e junta-se à variada gama de azeites virgem extra do Esporão, com referências como azeite Seleção, Cordovil, Galega, DOP Moura e Virgem Extra.

Elaborado a partir de duas variedades de azeitona – Cobrançosa e Arbequina – o Azeite Biológico cumpre rigorosos procedimentos, desde o olival até ao lagar, que resultam num azeite autêntico e genuíno, pleno em aromas e sabores. As azeitonas foram colhidas em Novembro 2013 e foram cuidadosamente selecionadas e enviadas em poucas horas para o lagar do Esporão, onde é feita a extração, limpeza e filtragem do azeite, sob uma temperatura inferior a 27º C, de forma a preservar os aromas dos frutos.

O resultado é um azeite muito equilibrado e aromático, ligeiramente picante e amargo, revelando no final notas de frutos secos. Com o mínimo de intervenção sob o trabalho da natureza, o Azeite Biológico da Herdade do Esporão preserva os sabores e aromas genuínos do produto, que convidam à degustação no seu estado natural. Sugere-se como entrada, embebido num verdadeiro pão alentejano ou tostas, como complemento perfeito de legumes cozidos, cozinhados ao vapor ou grelhados ou como toque final em massas aromatizadas com ervas frescas.

Este azeite biológico conta já com um importante prémio internacional - a Medalha de Ouro na prestigiada OLIVE JAPAN 2014 Competição, a maior competição internacional de azeites Virgem Extra no Japão. Os azeites do Esporão trouxeram ainda para Portugal outra Medalha de Ouro, atribuída ao azeite Seleção.

China e Japão: Azeite português ganha 50 medalhas

Os azeites portugueses estiveram, uma vez mais, em bom plano a nível internacional, desta feita em duas competições mundiais que decorreram na China e no Japão: Portugal conquistou um total de 50 medalhas nos concursos Oil China 2014 e Olive Japan 2014, cujos resultados foram anunciados recentemente.
A 3.ª edição da Olive Japan, uma das maiores competições de azeites em todo o mundo, que conta com júris convidados "oriundos de países-chave na produção de azeite" e do próprio Japão, distinguiu 25 azeites portugueses, 19 dos quais com medalhas de ouro (na categoria "Very Good Oils, que premiou 150 azeites) e os restantes 6 com medalhas de prata ("Good Oils", categoria que reconheceu a qualidade de 92 azeites). 
Já na China, onde Portugal conseguiu também 25 medalhas, um total de sete azeites foram premiados nas categorias de ouro ("Golden Olive Intense", "Golden Olive Medium" e "Golden OliveLight"). 
Nove azeites conquistaram, no decurso da Oil China, medalhas de prata ("Silver Olive Medium" e "Silver Olive Light") e foram ainda entregues aos azeites portugueses seis medalhas de bronze ("Bronze Olive Light" e "Bronze Olive Organic") e duas menções honrosas ("Grand Mention Medium"). 
Esta foi a 9.ª edição da China International Olive Oil Competition, mais conhecida por Oil China, cujos principais objetivos são divulgar os melhores azeites aos consumidores, vendedores e importadores, apresentar os azeites de maior qualidade na região da China e da Ásia e promover a transparência no mercado chinês do azeite.
Entre os azeite nacionais premiados nas duas competições asiáticas estão produtos das marcas Oliveira da Serra, Gallo Worldwide, innoliva, Oliveall, Casa Aragão, Angélica, Oliveira Ramos, Riazor - Azeites & Óleos Vegetais, Esporão, Herdade da Ventosa, entre outras.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Gallo Worldwide ambiciona liderança mundial

A Gallo Worldwide, dona do azeite Gallo, marca detida pela Unilever (55%) e pela Jerónimo Martins (45%), fechou o ano de 2013 com um volume de vendas de 150 milhões de euros, mais 20% que no ano anterior. Desse valor, cerca de 75% foi vendido fora da Europa, sendo o mercado brasileiro “o mais importante com uma quota de cerca de 32%, em Angola estamos nos cinco primeiros”, garante o presidente executivo da empresa, Pedro Cruz, acrescentando que em “2014 teremos sempre de crescer acima dos dois dígitos”.
“Desde 2008, a Gallo é a terceira maior marca do mundo, em termos de vendas de azeite. Nas vinte primeiras continua a haver apenas uma marca portuguesa, a Gallo. A primeira é a italiana, Bertolli, e a segunda a espanhola Carbonell. Não vemos razão para que uma marca portuguesa não seja a primeira”, afirmou o presidente executivo da Gallo Worldwide, durante uma visita guiada à fábrica Victor Guedes, em Abrantes, onde todo o azeite da marca é embalado.
A empresa, com escritórios em Xangai, São Paulo e Lisboa e uma única unidade de embalamento, a fábrica Victor Guedes, – a Gallo não produz azeite, compra-o a produtores nacionais e estrangeiros – está presente em 47 países. “Não podemos estar em todo o lado. Mas, também não estamos a pensar sair de nenhum dos mercados onde estamos”, refere Pedro Cruz.
Nos últimos cinco anos, as vendas da empresa cresceram “mais no Brasil, tivemos um crescimento muito forte em África e também em algumas partes da Ásia”, salienta Pedro Cruz. O mercado chinês está entre os dez maiores destinos de vendas da Gallo e a quota de mercado em Angola situa-se entre os 15% e 18%. “Em valor, somos líderes e em volume o primeiro ou segundo, no mercado angolano”, garante Pedro Cruz.
 
Azeite passa ao lado da crise
Segundo o presidente executivo da Gallo, o mercado em Portugal “está estável, o consumidor tem o azeite muito enraizado na sua cultura. Neste período de crise, as pessoas mantiveram o seu consumo de azeite, apesar de poderem ter comprado azeites mais baratos”.
No entanto, o tamanho das unidades vendidas varia de mercado para mercado. Nos mercados “nativos de azeite os formatos maios vendidos são os 0,75 centilitros a um litro, enquanto no Brasil lideram as embalagens de 0,20 a 0,50 centilitros”, explica Pedro Cruz. E adianta: “existem, no entanto, mercados onde o consumo per capita é baixo e os nossos concorrentes só vendem embalagens de litro, nomeadamente os asiáticos”. No estrangeiro é ainda muito comum ver-se as tradicionais latas de azeite Gallo, por “uma questão de tradição, mas também pelas condições logísticas que permitem”, frisa o presidente executivo da Gallo.
Quanto aos fornecedores, da Gallo, as embalagens são “fundamentalmente provenientes de Portugal, o único material que não conseguimos comprar cá são as capsulas”. E o azeite, nem todo é português. “O azeite, a nós importa-nos mais com a sua qualidade, do que pela sua origem”, explica aquele responsável. No entanto, a Gallo embala azeites com proveniência exclusivamente de Portugal.
Por sua vez, quanto à possibilidade de a fábrica Victor Guedes aumentar a capacidade de engarrafamento, o director fabril, Luís Simões, diz que o último investimento na linha foi de 12 milhões de euros, o qual terminou em 2012. “Quando a capacidade se esgotar faremos novo investimento. Tudo depende do crescimento das vendas”, afirma Luís Simões.
Curiosamente, os accionistas, detentores dos supermercados Pingo Doce, não são uma vantagem como canal de distribuição. Segundo Pedro Cruz, em declarações ao OJE, “colocar o nosso azeite nas prateleiras do Pingo Doce é mais difícil do que em muitas outras grandes superfícies. São accionistas, mas nós somos totalmente autónomos. Nem as tecnologias de informação partilhamos”

Missão italiana trata sobre produção de azeite de oliva na região

A comitiva vem à região para acompanhar a implantação de novos pomares de oliveiras nos municípios integrantes do projeto Olivais do Pampa. Esta é a terceira vez que os italianos vêm a Bagé.
Na manhã de ontem, o prefeito Luís Eduardo Dudu Colombo dos Santos recebeu a equipe. "Este é um programa que contribuirá com o desenvolvimento da nossa região. Estamos nos apropriando deste tema e trabalhando integrados com o governo do Estado, pois existe a necessidade de diversificar a matriz produtiva. Além disso, já temos empreendedores apostando na olivicultura", afirmou.
Esta visita visa à troca de informações para iniciar a produção de azeite de alta qualidade utilizando as variedades de azeitona frantoio, coratina e leccino. "Já temos 25 hectares de oliveiras plantadas em Bagé. A cada ano este número se expande cada vez mais. Neste ano, devem ser aumentados 30 hectares na cidade e 150 na região", destacou.
Conforme o secretário municipal do Desenvolvimento Rural, Emerson Menezes, o governo está trabalhando para instalar uma agroindústria voltada para o beneficiamento da produção dos olivais. "É uma atividade rentável e que vem para se somar a agricultura e a pecuária. Esta é a parte final do programa", completou.
A missão técnica iniciou com a palestra sobre os aspectos técnicos na implantação de Olivais, onde a italiana Daniela Farinelli da Universidade de Perugia justificou a escolha de certas áreas e tipos de oliveiras que se adaptariam melhor nas localidades. Ela também lembrou o início da missão que iniciou em 2011 para ver se a região tinha condições de receber os olivais. "Desta vez, estamos aqui para ajudar na implantação em diferentes locais da região que tem um potencial muito grande para desenvolver esta cultura", salientou.
 
Primeira unidade em Bagé
 
A primeira localidade a ser implantada a unidade do Programa Brasil Próximo desta etapa em Bagé, foi a Vista Alegre na propriedade do produtor rural Roberto Brendler, no final da manhã de ontem. "Aderi o programa porque decidi diversificar a matriz produtiva, pois já tenho uma plantação de oliveiras, e também cultivo outras culturas, bem como, a pecuária. Quero aumentar a minha renda e com a assessoria de técnicos do programa tenho certeza que esta atividade na minha propriedade irá avançar. Eles vão contribuir com a transferência de tecnologias", destacou Brendler.

Azeite português recebe 19 medalhas de ouro e 6 de prata em concurso internacional

O concurso Olive Japan International Extra Virgin Olive Oil Competition, distinguiu 16 marcas portuguesas de azeite com medalhas de ouro e 6 com medalhas de prata. Os 14 melhores azeites do mundo distinguidos nesta competição pertencem à Austrália, Itália e Espanha.
A marca portuguesa Gallo recebeu um total de 4 medalhas, 3 de ouro e uma de prata. As medalhas de ouro, segundo um comunicado da Azeite Gallo, foram atribuídas aos azeites:
"Gallo Azeite Novo 2013/14", "Gallo Colheita ao Luar" e "Gallo Reserva". A de prata foi para o "Gallo Grande Escolha".
Para a a empresa esta distinção "revela mais uma vez o reconhecimento da qualidade e do expertise da marca Gallo na produção de azeites de complexidade e qualidade distinta. Isto depois de terem sido reconhecidos no New York International Olive Oil Competition e no Concurso Mário Solinas".

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Oliveira da Serra Lança Azeite para fritar

A Oliveira da Serra lança hoje uma nova campanha para promover o Oliveira da Serra Azeite Fritar, o novo produto da marca.
Da autoria da McCann, a nova campanha da Oliveira da Serra tem como assinatura “Torna o simples em especial”. A marca pretende levar os portugueses a experimentarem este novo produto, criado para reforçar o sabor original dos alimentos quando fritos, conferindo-lhes um toque a azeite.
«Inovar faz parte do ADN da marca e por isso não podíamos ficar parados. Este novo Oliveira da Serra para Fritar, o primeiro azeite no mercado português especialmente desenvolvido para fritar, reforça a liderança em inovação da marca, que é também líder de mercado em Portugal», refere em nota de imprensa Isabel Roseiro, strategic marketing manager da Oliveira da Serra.
A nova campanha está disponível nos canais generalistas de televisão e cabo, internet, exterior e em ponto de venda.

Cultivo de oliveiras ganha força nas lavouras do Rio Grande do Sul

Cerca de 75 produtores estão cultivando oliveiras no Rio Grande do Sul. A estimativa de colheita já chega a 350 toneladas de azeitona e de uma produção de aproximadamente 45 mil litros de azeite de oliva. Segundo a Emater, em 2005 apenas três produtores investiam na plantação no estado, em um total de 10 hectares cultivados. Atualmente são 1,2 mil hectares.
Em Pinheiro Machado, na Região da Campanha, está localizada uma das maiores propriedades com produção de oliva no Rio Grande do Sul. São 42 mil pés plantados em 120 hectares. A expectativa do produtor e empresário Luiz Eduardo Batalha é colher pelo menos 80 mil quilos da fruta. Na propriedade, 70% da produção é destinada a fabricação de azeite de oliva. O restante será de azeitona de mesa.
No local também funciona uma indústria de preparo de azeite. As frutas são colocadas em aparelhos específicos, lavadas e têm as folhas retiradas. Depois, as azeitonas são moídas e um outro aparelho extrai o líquido para a separação da água e do azeite. O processo termina com o azeite pronto para consumo e necessita do apoio de apenas um funcionário.
Batalha conta que as plantas estão com uma média de três anos e quatro meses de idade e com uma produção de cerca de 12 quilos por pé. “Nosso projeto é atingir 300 hectares. Não vamos parar até lá”, afirmou.
O cultivo de azeitona pode complementar a renda de pequenos e médios produtores, possibilitando a integração da criação de ovelhas com as plantações de oliveiras na região. Segundo o pesquisador da Embrapa Enilton Coutinho, 80% dos produtores gaúchos de azeitona estão na região Sul e a rentabilidade tem chamado a atenção. “Existe um mercado totalmente aberto para o azeite. O Brasil importa a totalidade desse produto, que faz muito bem pra saúde”, explica. Ele também diz que o produtor pode conseguir uma renda líquida de aproximadamente R$ 20 mil por hectare.

Dois azeites portugueses entre os melhores do mundo

Dois dos melhores azeites do mundo são portugueses. Duas marcas nacionais foram reconhecidas com as mais altas distinções num concurso internacional de azeites, o Prémio Mário Solinas.
Todos os anos realizam-se os prémios de qualidade do Conselho Oleícola Internacional (COI), a mais importante cerimónia deste sector, que distingue azeites de todo o mundo em quatro categorias diferentes: Verde Intenso, Verde Médio, Verde Ligeiro e Maduro.
O azeite da Casa Agrícola Roboredo Madeira e o da Sociedade Agrícola Vale de Ouro, mais conhecido por Azeite Oliveira da Serra, foram os dois azeites portugueses que “brilharam”, saindo distinguidos com a medalha de ouro nas categorias Verde Médio e Verde Ligeiro, respectivamente.
Os outros dois primeiros lugares, o de Verde Intenso e Maduro, foram para azeites espanhóis.
Este ano estiveram a concurso 138 azeites provenientes de diferentes países: Alemanha, Argélia, Israel e Uruguai, todos com um azeite a concurso; o Chile, o Irão e Itália com dois; a Turquia com três; a Grécia e a Tunísia com seis; Portugal com 38 e Espanha com 75.
Portugal foi ainda distinguido com o segundo prémio na categoria de Verde Médio para o azeite Gallo; e com o segundo e terceiro prémio na de Verde Ligeiro com o azeite da Elosua e o da Cooperativa de Olivicultores de Valpaços, respectivamente.
Os azeites apresentados a concurso foram avaliados por um painel de jurados reconhecido pelo COI, de onde foram seleccionados seis finalistas. Estes foram apresentados a um júri internacional, responsável por encontrar o top 3de cada categoria. Este painel teve em conta uma série de características, tais como as sensações olfactivas e gustativas bem como a harmonia, a complexidade e a persistência do azeite.
A cerimónia de entrega dos Prémios Mário Solinas irá ocorrer no dia 5 de Junho na sede do Conselho Oleícola Internacional, em Madrid, Espanha.

* Pesquisa mostra que azeite extravirgem nacional tem características similares aos importados


Estudos desenvolvidos na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp e pelo Departamento de Química Analítica da Universidad de Granada, na Espanha, mostram que o azeite de oliva extravirgem brasileiro, produzido ainda de forma restrita, exibe características similares aos produtos importados. Recomendado pelos benefícios que traz à saúde, o consumo do azeite extravirgem vem aumentando no Brasil, embora os custos de importação restrinjam a sua utilização.
O azeite de oliva extravirgem é altamente recomendado por seus benefícios à saúde humana. Pesquisas na área médica atribuem a ele importante papel na prevenção de doenças cardíacas e alguns tipos de câncer. Entre os principais responsáveis por estes efeitos destacam-se o elevado teor de ácido oleico, que diminui o colesterol “ruim”, e a presença de compostos antioxidantes, que agem como sequestradores de radicais livres.
O químico industrial de alimentos Cristiano Augusto Ballus, que realizou a pesquisa no Brasil, começou o estudo com azeites de oliva importados e encontrados nos supermercados, com o objetivo de caracterizar tanto qualitativamente como quantitativamente os antioxidantes neles presentes.
Durante a realização desta primeira fase do trabalho, Cristiano se deu conta de que no Brasil estava-se tentando produzir azeite de oliva extravirgem, o que o interessou muito diante da possibilidade de se chegar a um produto nacional de menor custo e acessível a um mercado consumidor maior. Embora ainda não comercializados em escala, estes azeites produzidos no Brasil começaram a aparecer em alguns pontos de venda de Minas Gerasis e Rio Grande do Sul.
Cristiano considera que a produção experimental de azeite de oliva extravirgem no Brasil vem apresentando resultados promissores, de maneira a viabilizar uma futura produção em escala industrial.
– É de fundamental importância caracterizar a composição química destes azeites de oliva nacionais, pois suas qualidades estão diretamente atreladas às diversas classes de componentes químicos que os devem constituir. Isto me levou a esta pesquisa – diz Cristiano.
Ao repetir com os azeites nacionais as análises feitas nos importados, o pesquisador constatou que os teores desses compostos são muito similares aos encontrados em azeites de oliva dos países da Europa e Argentina, também uma grande produtora de azeite de oliva.
– A análise de compostos presentes nos azeites de oliva extravirgem produzidos no Brasil será de fundamental importância na determinação de suas qualidades, permitindo aquilatar se os produtos obedecem às diretrizes nacionais e internacionais – aponta o pesquisador.
De acordo com Cristiano, a pesquisa permite, ainda, diferenciá-los dos azeites de oliva provenientes de outros países e leva à construção de uma identidade para os azeites de oliva produzidos nos diferentes Estados brasileiros. Possibilita ainda avaliar de que forma a localização geográfica, as características climáticas, as condições de solos e outros fatores alteram sua composição.
Para o pesquisador, o próximo passo será determinar se as características sensórias dos azeites de oliva brasileiros que se revelarem promissores são adequadas à sua comercialização.