quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Azeite fresquíssimo da safra nacional chega ao mercado

Começou a temporada das azeitonas na Serra da Mantiqueira e junto com ela estão chegando às prateleiras os "novellos", como são chamados os azeites sem filtragem e com frescor retumbante, os primeiros da colheita; a safra no Sudeste promete ser cinco vezes maior que a do ano passado.
As constantes chuvas nos contrafortes da Mantiqueira fizeram as azeitonas amadurecerem mais cedo e a colheita foi antecipada. Há mais de uma semana vários produtores começaram a tirar o fruto do pé em cidades na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, e a vantagem é do consumidor: algumas marcas decidiram envasar azeite sem filtragem, que já podem ser comprados.
Colheita de azeitonas na Serra da Mantiquiera
Colheita de azeitonas na Serra da Mantiquiera Foto: Hélvio Romero|Estadão
      Esse tipo de azeite, chamado de novello na Itália, é um líquido que, sem decantação ou filtragem, ainda guarda resíduos da massa da azeitona, o que diminui sua vida útil. Possui validade de até quatro meses, mas o frescor e a intensidade de sabores e aromas das azeitonas mais verdinhas valem a compra.
Na Mantiqueira, as marcas Oliq (SP) e Maria da Fé (MG) estão lançando neste ano os seus rótulos sem filtragem, com edição limitada: o Novíssimo (da Oliq) e o Nuovo (Maria da Fé) podem ser comprados com os produtores ou na Rua do Alecrim, loja de São Paulo que neste sábado realiza uma degustação gratuita em primeira mão desta safra na capital.
Outra marca que apostou nesse tipo de azeite no ano passado e vai repetir a empreitada é a gaúcha Ouro de Sant’Ana, cujo Novello pode ser reservado para a primeira semana de março, já que a colheita no Sul (outra região produtora) começa no fim de fevereiro.
Filtrado ou não, o fato é que, quanto mais fresco um azeite, melhor. Mesmo que você não compre essas primeiras extrações da azeitona, dentro de dois meses os azeites decantados já estarão nas prateleiras, tendo a vantagem do curto espaço entre a produção e a comercialização. Como a safra dos europeus é no fim do ano – e eles atravessam o Atlântico para chegar à nossa mesa –, nunca estarão tão frescos quanto o produto nacional.
Por aqui, há relatos de que mudas de oliveira tenham chegado na década de 1940, em Maria da Fé (MG), local onde só em 2008 a Epamig (empresa agropecuária de Minas) extraiu o primeiro azeite nacional do século 21. Assim, a produção brasileira ainda está engatinhando aos olhos do mundo: a maioria das oliveiras são jovens, não chegaram ao ápice de produtividade, o que ocorre a partir do sexto ano, e os olivicultores ainda estão aprendendo a lidar com o negócio e o clima. 
Mas a safra deste ano é promissora e anima quem está no ramo, principalmente no Sudeste. É que por aqui fatores climáticos destruíram a safra do ano passado e a expectativa para agora ficou em cinco vezes o tamanho da produção de 2016.
“Ainda é difícil dizer o que aconteceu em 2016, mas uma das causas é que não tivemos horas suficientes de frio para a florada. Mas há variáveis que a gente ainda não domina”, afirma o olivicultor Carlos Diniz, presidente da Assoolive (Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira).
 
  Foto: Hélvio Romero|Estadão
      Segundo a Assoolive, a produção na Mantiqueira caiu de 25 mil litros de azeite em 2015 para 7 mil em 2016. Neste ano, a estimativa são mais de cinco vezes esse volume: 40 mil litros. No Sul, onde o clima é mais propício para o cultivo (mais frio e menos chuvoso), as últimas safras evoluíram gradativamente, apesar de relatos de problemas com granizo. Alguns produtores estimam dobrar a produção, como a gaúcha Ouro de Sant’Ana, que deve pular dos 3.000 litros de 2016 para estimados 7.000 litros neste ano.
Se não houver grandes estragos provocados pelo clima, a produção deve continuar crescendo, até se saber a real produtividade das oliveiras em cada região. Ainda que com a quebra de safra de 2016, as boas perspectivas do setor têm atraído gente nova ano após ano. Desta vez, a conceituada vinícola Guaspari, que colhe azeitonas em caráter experimental desde 2010, promete lançar até maio o seu azeite da Mantiqueira.

Por dentro da colheita da azeitona na Mantiqueira

A Serra da Mantiqueira, a ‘Toscana brasileira’, marcada por montanhas de clima frio, vive uma espécie de corrida do ouro: hoje, são quase 80 produtores na região, que conta com ao menos 13 lagares – maquinário para extração do azeite; acompanhamos um dia na produção do azeite da marca Oliq.
São 7h da manhã, a neblina ainda recobre grande parte das montanhas em São Bento do Sapucaí (SP), e catadores ganham cestos para iniciar a colheita na fazenda da Oliq, marca de azeites da Serra da Mantiqueira que está em sua terceira safra. Os catadores levam o dia enchendo com as mãos os cestos e os levando ao lagar – nome que se dá ao lugar onde os frutos processados dão origem ao azeite. 
Quanto mais rapidamente ele for extraído, melhor, para evitar a oxidação da azeitona e garantir a qualidade do líquido. Ao sair do maquinário, ele é verde, ainda com concentração de massa orgânica, mas ganha tons dourados com o tempo.
Colheita na Serra da Mantiqueira, a 'Toscana brasileira'.
Paladar acompanhou o processo na semana passada, colhendo azeitonas com as mãos sem luvas, já que os galhos da oliveira não machucam, e provando a primeira extração das azeitonas verdinhas direto da torneira. “Quanto mais verde a azeitona, menor o rendimento e mais caro o azeite, mas melhor ele é”, diz Vera Masagão, sócia da Oliq ao lado de Antônio Batista e Cristina Vicentin.
Na Europa, a indústria geralmente colhe a azeitona bem madura, para o rendimento ser maior, resultando no azeite de sabor adocicado que estabeleceu um padrão de gosto ordinário no Brasil e em outros países.
Na Oliq, o maquinário italiano (que processa 400 kg de azeitonas por hora) também é alugado para processar azeitonas de outros produtores. No dia da visita, a vinícola Guaspari havia chegado para a sua sexta extração desta safra, que começou na Mantiqueira dias antes.
Além da Oliq, fazendas como a Maria da Fé, que fica na cidade mineira de mesmo nome, também possui lagar próprio, italiano, que processa 200 kg/hora. Predominam azeitonas da variedade italiana grappolo (70% dos cerca de 50 mil pés) – já entre os 10 mil pés da Oliq a maioria é da espanhola arbequina.
Mas tanto na Maria da Fé quanto na Oliq, para fazer o azeite do tipo novello é usada a arbequina. Por ser uma azeitona mais frutada e suave, pode ter seus aromas e sabores potencializados nessa primeira extração, o que não combina com azeitonas que já são naturalmente mais amargas e picantes.
A arbequina é também maioria nas plantações dos quase 80 olivicultores que se espalham pela Mantiqueira e chegam à Bocaina, região de clima montanhoso que já ganhou apelido: Toscana brasileira. Por ali, são 13 lagares em operação, que processam de 100 kg/hora a 1.000 kg/hora e aliam a produção ao turismo, com visitação aberta.
“Está cedo para vermos o que vai acontecer. Pode ser que um dia a gente tenha cooperativa para processar pequenas produções, como no café. Mas primeiro precisamos cuidar do ator principal, a azeitona, né?”, diz Carlos Diniz, da Assoolive (Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira).
Para o degustador profissional Paulo Freitas, o modelo de cooperativa pode ajudar a baratear os custos de produção e o valor do azeite. “Ainda está muito caro, até porque as oliveiras não atingiram seu ápice. Daqui a alguns anos, é normal que o preço fique na faixa de R$ 40 a garrafa de 500 ml, não a de 250 ml. Pensar hoje em pagar R$ 80 por 500 ml no Brasil é bater de frente com os azeites mais conceituados do mundo.”
 
  Foto: Hélvio Romero|Estadão

O sabor do azeite nacional

A maior qualidade do azeite brasileiro é seu frescor, defendem especialistas. Com o intervalo curto entre produção e comercialização, os consumidores podem ter um produto mais jovem do que muitos dos seus pares. Mas já dá para falar em terroir e notas sensoriais que caracterizam o País ou as regiões produtoras?
Ainda é cedo, já que há poucas safras avaliadas, mas o tema está sendo estudado por Marcelo Scofano, degustador profissional que vem provando azeite nacional desde 2009. Ele estuda a variedade arbequina, a mais plantada no País, comparando azeites feitos na Mantiqueira, no Sul e no seu berço histórico, a Espanha. Segundo ele, a arbequina da Mantiqueira resulta num azeite mais frutado maduro, enquanto a do Sul traz notas um pouco mais herbáceas. “Mas o Brasil dificilmente fará azeite de herbáceo intenso, por conta do alto índice pluviométrico. No Sul, com menos chuva e mais frio, ele é um pouco mais herbáceo.”
Outras azeitonas vão dar azeites mais intensos, com mais amargor e picância (duas qualidades que devem constar de qualquer azeite extravirgem, em maior ou menor grau), o que pode orientar seu uso na cozinha. “A arbequina dá um azeite mais suave e aromático, adequado para saladas. Já koroneiki e picual, que trazem mais amargor e picância, vão bem com pratos mais elaborados e condimentados, como bacalhau e pizza de calabresa”, diz Paulo Freitas.

O primeiro concurso nacional

O Ministério da Agricultura está à frente do primeiro concurso de azeites nacionais, criado para fomentar o setor e que deve ocorrer em junho em Bagé (RS). O edital pode sair nos próximos dias, mas os organizadores no Sul ainda esperam a liberação dos R$ 100 mil pedidos para que as inscrições sejam abertas. O dinheiro inclui o deslocamento dos degustadores, já que estão na lista três estrangeiros (portugueses e espanhol) e oito brasileiros, incluindo os degustadores profissionais Marcelo Scofano, do Rio de Janeiro, e Paulo Freitas, de São Paulo.

Onde comprar

Oliq Novíssimo, R$ 48 na Rua do Alecrim (tel. 5087-8937)
Maria da Fé Nuovo, R$ 48,70 na Rua do Alecrim
Ouro de Sant’Ana Novello (encomendas pelo site www.ruadoalecrim.com.br, previsão de chegada na primeira semana de março)
DEGUSTAÇÃO GRATUITA
Oliq e Maria da Fé, no sábado (11), das 10h às 18h, 

Onde: Rua do Alecrim (Rua Normandia, 12, Moema)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

São Sepé vai sediar Abertura Oficial da Colheita de Oliva do RS

Se diversificar a produção era o tema de casa, São Sepé vem cumprindo a risca o projeto de oferecer aos produtores – em especial aos pequenos – alternativas para novos cultivos. Depois de fomentar a produção das videiras (em processo de consolidação frente as recentes edições da Festa da Uva) o município agora fortalece outro elemento da cadeia produtiva: as oliveiras.
Em recente viagem à capital gaúcha, o prefeito Léo Girardello e o vice-prefeito, Kéio Santos, anunciaram a sinalização positiva do Governo do Estado para que o município sedie a Abertura Oficial da Colheita de Oliva. O evento que reúne autoridades estaduais – e que pode ter a presença do Governador José Ivo Sartori – deve acontecer em uma propriedade localizada às margens da BR-290, com expectativa para o dia 15 de março.
Léo destacou que atualmente o município sepeense ocupa a quinta posição em área plantada da variedade. A planta que produz azeitonas tem encontrado na região central solo fértil para o desenvolvimento. Um bom exemplo está na vizinha Caçapava do Sul, onde a produção é ainda maior.
Na próxima semana uma equipe da secretaria de agricultura do RS deve visitar o município para analisar o local do evento. A notícia foi comemorada pelas autoridades do município que avaliam que a realização da ação pode aumentar o destaque da cidade na produção de oliveiras, bem como, despertar o interesse de novos produtores e empresários. Fonte: A.I. Prefeitura de São Sepé

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Agroindústrias da Argélia querem exportar para o Brasil

Pelo menos duas empresas entraram em contato com a Embaixada argelina para viabilizar o acesso ao mercado brasileiro

POR REDAÇÃO GLOBO RURAL
Agroindústrias da Argélia estão interessadas em exportar produtos para o Brasil. De acordo com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, pelo menos duas empresas procuraram a Embaixada do país em Brasília, na tentativa de ter acesso a importadores nacionais. Tâmaras, azeite de oliva, pimenta, ervilhas e alcachofra estariam entre os produtos que os empresários argelinos querem oferecer aos consumidores brasileiros. “Importadores interessados em trabalhar com esse tipo de produto podem entrar em contato com essas empresas”, diz Chafik Kellala, primeiro secretário da embaixada da Argélia, conforme divulgado pela agência de notícias da Câmara Árabe. No ano passado os brasileiros importaram US$ 1,62 bilhão em produtos da Argélia, uma queda de 10% em relação a 2015. As exportações brasileiras ao país árabe somaram US$ 1,063 bilhão.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

'Ebola das oliveiras' chega a Espanha

 Um patógeno vicioso apelidado de "Ebola das oliveiras" pelo jornal espanhol El Mundo e que, de acordo com especialistas que tiveram de lidar com ele no passado, tem o potencial de devastar a colheita de azeitona da União Europeia foi visto pela primeira vez Na ilha de Maiorca.
A doença, Xylella fastidiosa, classifica-se entre as "mais perigosas do mundo", para as culturas e é uma ameaça muito grave, dizem os especialistas. O patógeno coloniza os vasos que uma planta usa para transportar água e nutrientes.

O resultado é que a planta sofre sintomas graves, tais como escaldante e murchando de sua folhagem e, eventualmente, morre. O fato de que a bactéria tem inúmeros hospedeiros e vetores é uma preocupação para as autoridades locais como a probabilidade de uma contaminação completa na ilha é um cenário que não foi excluído.

O agente patogénico foi detectado pela primeira vez em Mallorca por funcionários do Departamento de Ambiente, Agricultura e Pescas das Baleares durante um controlo de rotina em três cerejeiras localizadas num dos centros de jardinagem da cidade. Ainda não infectou as oliveiras da ilha, mas as autoridades permaneceram totalmente cautelosas sobre a questão.

Em um esforço para evitar mais contaminação funcionários do governo estabeleceram uma proibição de movimento na ilha abrangendo 15.000 hectares; O objetivo é "conter e erradicar a propagação da bactéria". As autoridades espanholas estão realizando testes em outras plantas e procurando insetos que vetores da doença, a fim de avaliar a sua propagação e, eventualmente, erradicá-lo.

Tais surtos se tornaram uma grande preocupação não só para a Espanha, mas também para a Itália e para toda a União Européia, enquanto o mercado do azeite foi afetado por colheitas medíocres e pelo aumento do preço do azeite em 2016.

De facto, espera-se que a produção de azeite 2016 da União Europeia apresente um forte declínio, uma vez que o sector enfrenta muitas ameaças. A seca e as doenças sofreram acidentes vasculares cerebrais no sul da França e na Itália, ea Espanha, maior produtora de azeite do mundo, enfrentou incertezas decorrentes das previsões pessimistas de rendimento do governo. O "Ebola das oliveiras" é ainda outra grande preocupação para os produtores de azeite europeus que tiveram um ano difícil.

A bactéria Xylella fastidiosa foi descoberta pela primeira vez em Puglia, na Itália, em 2013. O patógeno afetou muito a colheita de azeitonas na Itália - centenas de milhares de hectares de azeite foram devastados - e mais tarde causou estragos nas árvores de azeite do sul da França.

Foi previamente visto na Ásia e na América. 2015 Xylella fastidiosa surto resultou em um aumento de vinte por cento no preço do azeite. No caso de as autoridades espanholas não poderem erradicá-la, o preço do azeite poderá registar um aumento sem precedentes.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Paladar testa 10 azeites de supermercado: veja como eles se saíram

Selecionamos azeites extravirgens importados com preços de até R$ 35, reunimos especialistas e avaliamos como andam produtos que fazem parte do nosso dia a dia.         
Existe uma ampla oferta de azeites nos supermercados paulistanos e não é por acaso – o produto faz parte do dia a dia na cozinha e na mesa. E, apesar de o Brasil já ter uma produção de azeite extravirgem de qualidade notável (porém ainda em pequena escala), os azeites mais consumidos pelos brasileiros (o 11º país entre os maiores consumidores de azeite) vêm da Europa, especialmente de Portugal, Espanha e Itália.
Paladar resolveu avaliar a qualidade dos azeites disponíveis nos supermercados e montou uma cuidadosa estratégia, que começou com a lista de compras e terminou com uma prova às cegas. 
A seleção incluiu dez rótulos de nacionalidades variadas, de preços até R$ 35, a maioria entre os mais vendidos em supermercados da cidade. A prova foi feita às cegas, isto é, nenhum dos participantes sabia quais azeites estava provando. O ranking, que você confere na galeria abaixo, revelou os melhores e piores do mercado.
10º - ANDORINHA
Aroma artificial que lembra essência, tem uma nota doce de coisa madura demais, passada. Parece blend de mais de um azeite ou produto velho. Ruim. Origem: Portugal; embalado em agosto de 2016. Preço: R$ 24,30 (500 ml, na Casa Santa Luzia). Bico: retrátil, não deixa vazar pela borda; fluxo de fraco a médio.
9º - PORTUCALE
Nota aromática de fermentação, que é um defeito; pouca intensidade tanto de picância quanto de amargor resulta em um azeite “plano”, excessivamente suave. Origem: Portugal; envasado em março de 2016. Preço: R$ 29,25 (500 ml, no Pão de Açúcar). Bico: retrátil, não deixa vazar pela borda; fluxo de fraco a médio.
8º - BORGES
Nota metálica, defeito que pode ter sido originado em equipamentos; é apenas picante, sem conter amargor ou aromas e sabores de fruta. Origem: Espanha; produzido em agosto de 2016. Preço: R$ 17,75 (500 ml, no Extra). Bico: não é retrátil, mas é duplo, com saídas para fluxo forte e fluxo fraco; não deixa vazar.
7º - CARBONELL
Um azeite doce, parece fermentado, o que é um defeito de aroma; na boca, tem nota láctea e de ranço, desagradáveis; amargor alto. Origem: Espanha; envasado em maio de 2016. Preço: R$ 29 (500 ml, na Casa Santa Luzia). Bico: retrátil, não deixa vazar pela borda; fluxo de fraco a médio.
6º - GALLO
Não é ruim no nariz, com notas maduras agradáveis, que lembram tomate; mas na boca tem picância muito perceptível e alta adstringência, com residual amargo. Origem: Portugal; fabricado em julho de 2016. Preço: R$ 25,69 (500 ml, no St Marche). Bico: retrátil, não deixa vazar pela borda; fluxo médio.
5º - YBARRA
Promete no nariz algo que não entrega à boca; notas leves de ranço, um defeito; é um azeite “plano”, sem personalidade. Origem: Espanha; envasado em fevereiro de 2016. Preço: R$ 21,90 (500 ml, no Pão de Açúcar). Bico: retrátil, não deixa vazar pela borda; fluxo médio.
4º - OLITALIA
Toque de amargor e picância, é um azeite arredondado; tem aroma adocicado, mas não chega a ser desagradável ou enjoativo. Origem: Itália; envasado em agosto de 2016. Preço: R$ 19,90 (500 ml, no Empório Santa Maria). Bico: retrátil, não deixa vazar pela borda; fluxo forte.
3º - DE CECCO
Notas herbáceas aparecem no nariz, parece fresco, não tem aromas de defeito; na boca, a picância mais alta do que o amargor faz dele um azeite interessante. Origem: Itália; envasado em julho de 2016. Preço: R$ 30,60 (500 ml, na Casa Santa Luzia). Bico: não é retrátil, mas não deixa vazar pela borda; fluxo forte.
2º - HERDADE DO ESPORÃO
Bem equilibrado, de picância leve, tem notas herbáceas (lembra grama recém-cortada no nariz), remete a alcachofra; sabor persistente. Origem: Portugal; envasado em agosto de 2016. Preço: R$ 30,10 (500 ml, na Casa Santa Luzia). Bico: não é retrátil, mas não deixa vazar pela borda; fluxo médio.
1º - DELEYDA
Campestre, tem o herbáceo bem marcado, notas de azeite fresco; na boca, lembra tomate, tem sabor; bom equilíbrio entre picância e amargor; um azeite com personalidade. Origem: Chile; fabricado em agosto de 2016. Preço: R$ 33,50 (500 ml, no Pão de Açúcar). Bico: não é retrátil, mas não deixa vazar pela borda; fluxo médio.
O grupo de degustação reuniu dois profissionais, o degustador de azeites Paulo Freitas e o empresário Arnaldo Comin (dono da Rua do Alecrim, empório especializado em azeites brasileiros), além do chef espanhol Oscar Bosch, do restaurante Tanit, a editora do Paladar, Patrícia Ferraz, a colunista de vinhos Isabelle Moreira Lima e a repórter Renata Mesquita. 
A avaliação confirmou a tese de que os azeites envasados pelo próprio produtor (caso de Deleyda e Herdade) saem-se melhor porque, com curto intervalo entre colheita e processamento, correm menos risco de serem adulterados, diz Paulo Freitas. Além disso, as empresas que só são envasadoras compram azeite de vários produtores e podem fazer blends, além de poderem envasar azeites já velhos (e quanto mais jovem o azeite, melhor).
A legislação brasileira não ajuda, já que não obriga a indicação da safra no rótulo – só a data de envase e validade. Assim, o envasador indica que o produto foi engarrafado em agosto deste ano, por exemplo, mas não quer dizer que tenha sido colhido na última safra. Na Europa, onde estão os maiores produtores de azeite do mundo (o primeiro é a Espanha), a safra de azeitonas vai de outubro a novembro; já no Brasil, a colheita é de março a abril.

 
  Foto: Daniel Teixeira|Estadão
Os copos usados na degustação de azeites são azuis, para a cor de cada marca não influenciar os participantes da prova.
Os copos usados na degustação de azeites são azuis, para a cor de cada marca
 não influenciar os participantes da prova. Foto: Ana Paula Boni|Estadão                                                          
                    Muito além da acidez – que deve ser de até 0,5% nos azeites extravirgens e que por anos guiou consumidores em busca de “bons” azeites – outros atributos definem a qualidade: aromas e sabores (notas de frutas, legumes e ervas, como tomate, maçã, lavanda), picância (não o ardor típico da pimenta, mas a picância que pega no fundo da garganta) e amargor (sim, todo azeite extravirgem deve ter um toque amargo; é a adstringência trazida pela presença de polifenóis). 
São esses atributos que vão guiar a harmonização de um azeite com pratos. Não adianta querer colocar azeite suave em um prato muito condimentado. “Pratos como paella e moqueca pedem azeite intenso, com pungência. Já uma salada leve vai bem com um azeite pouco amargo e pouco picante”, diz Paulo.
  • 10º - ANDORINHA

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Cultura de oliva no RS e SP ganha zoneamento agrícola

Produtores devem observar as orientações das portarias para receber o Proagro
Foi publicado no Diário Oficial da União, desta quinta-feira (10), o primeiro Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) da cultura de oliva para os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. 
 
Nas portarias são apresentadas orientações aos produtores sobre municípios aptos ao plantio e ao período mais adequado à semeadura das lavouras. Para ter direito ao Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária), ao Proagro Mais (agricultura familiar) e à subvenção federal ao prêmio do seguro rural, o produtor deve observar os indicativos desses normativos.
 
A oliveira (Olea europaea L.) é uma das plantas mais antigas cultivadas pelo homem e, devido aos benefícios que o consumo de azeite proporciona à saúde humana e pela sua comprovada eficácia na prevenção de enfermidades cardiovasculares, seu cultivo adquiriu especial relevância nos últimos anos.
 
Pertence à família botânica Oleaceae, que apresenta espécies distribuídas por várias regiões de clima temperado e subtropical do mundo.
 
Nos estados indicados no Zoneamento Agrícola, existem olivais em fase de produção, de beneficiamento de azeitonas e de embalagem de azeite. Dados recentes da Emater no Estado do Rio Grande do Sul e da Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (Assoolive), mostram que, somente no Rio Grande do Sul e em São Paulo, há 1.200 hectares de terra implantados com a cultura. Sendo que ainda existem outros projetos de plantio no Rio Grande do Sul, de investidores brasileiros e estrangeiros, com áreas que chegam a atingir mais de 100 hectares em cada investimento.
 
O Zoneamento Agrícola de Risco Climático é um instrumento auxiliar na gestão de riscos na agricultura. O estudo tem como objetivo reduzir os riscos relacionados aos fenômenos climáticos adversos, já que permite ao produtor identificar o melhor período de semeadura das lavouras, nos diferentes tipos de solo e de ciclos de cultivares. A técnica é de fácil entendimento e adoção pelos produtores rurais, agentes financeiros e demais usuários.
 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Cadeia produtiva da olivicultura no Rio Grande do Sul ganha incentivo de ICMS

Para atender a uma reivindicação dos produtores gaúchos de azeite de oliva, o governo do Estado assinou, nesta quinta-feira, decreto de redução da carga tributária, através de crédito fiscal de ICMS presumido, passando a alíquota de 18% para 7% nas vendas internas (dentro do Estado) de azeite fabricado com azeitonas produzidas no País. A resolução estimula a cadeia produtiva de oliveiras no Rio Grande do Sul, auxiliando na expansão e consolidação das atuais fábricas.
Com o decreto, o Estado implementa em sua legislação o convênio ICMS 91/16 aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). A iniciativa intensifica a cooperação e as ações entre parceiros estaduais e instituições privadas, previstas no Programa Estadual de Desenvolvimento da Olivicultura (Pró-Oliva), criado em julho do ano passado pelo Decreto nº 52.479.
Hoje, o setor da olivicultura no Rio Grande do Sul é responsável por dois mil hectares de plantações de azeitonas; 160 produtores rurais em 55 municípios; oito indústrias; e 13 marcas de azeite. Segundo dados da Emater e da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação, em 2014/2015 foram produzidos 11.141 mil litros de azeite no Estado. A estimativa para a safra 2015/2016 é chegar a 33 mil litros. No ano passado o faturamento das indústrias gaúchas ficou em R$ 440 mil, de acordo com informações da Secretaria da Fazenda.
Atualmente o Rio Grande do Sul adquire cerca de R$ 35 milhões de azeite de oliva, por ano, de outros estados brasileiros - R$ 1 milhão de produção nacional e R$ 34 milhões de azeite importado. Calcula-se que, nos últimos anos, os investimentos privados passam dos R$ 80 milhões, tanto na implantação de olivais como na instalação das oito fábricas de azeites do Estado, gerando mais de mil empregos. O cultivo de olivais é um plantio demorado, de longa maturação, por isso a necessidade de incentivos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Assinatura do decreto de estímulo à cadeia produtiva de oliveiras no RS

Fonte: Alexandre Farina - Secretaria da Agricultura
.

. - Foto: Fernando Dias - Secretaria Estadual da Agricultura, pecuária e Irrigação
Nesta quinta-feira (27), ocorre no Salão Alberto Paqualini, do Palácio Piratini,
ás 10h, a solenidade de assinatura do decreto de estímulo a cadeia produtiva
das Oliveiras no Estado. O evento terá a presença do Governador, José Ivo Sartori,
do Secretário da Agricultura, Pecuária e Irrigação, Ernani Polo, e demais autoridades.
O decreto é mais uma ação do governo em prol do setor.

Em julho do ano passado o Pro-Oliva – Programa Estadual de Desenvolvimento
da Olivicultura, através do decreto 52.479, intensificou a cooperação e o número de
ações entre parceiros estaduais e instituições privadas visando impulsionar e consolidar
a cultura da oliveira e a produção de azeites.

Dentre os objetivos do programa está a ampliação e consolidação da produção de
olivos e azeites, aproveitando as condições climáticas favoráveis que o estado oferece.
O decreto atende uma demanda do setor que solicitava um maior apoio do governo
para tornar mais competitiva a venda para outros estados e auxiliar na expansão e
consolidação das atuais fábricas já instaladas no Estado.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Persistente, a produção de azeite no Brasil tem história de meio século


Hoje, a produção de azeite no Brasil levou o país a integrar catálogos referência no mundo





Colheita das oliveiras em produção artesanal DUBES SONEGO JR.

A história do azeite no Brasil é recente e embora contenha altas doses de romantismo, não perde o fio econômico. As primeiras tentativas de produção surgiram nos anos 1950 em Campos do Jordão (SP) e Uruguaiana (RS), mas não foram adiante e viraram mato, literalmente. A Empresa de Pesquisas Agronômicas deMinas Gerais (Epamig) recolheu as variedades sobreviventes e iniciou um trabalho de pesquisas de campo que identificou a Serra de Mantiqueira como território fértil para as azeitonas. Os resultados preliminares empolgaram pequenos proprietários que buscavam alternativas de cultivo. Perto de 70 produtores iniciaram plantio no fim dos anos 90 em mais de 20 municípios, introduzindo a oliveira na bucólica paisagem de eucaliptos, jacarandás e cafezais da região.
Ao mesmo tempo, no extremo sul do Estado do Rio Grande do Sul, um número menor de produtores, mas com poder de investimento maior, aventurou-se na produção com amparo da Embrapa. Hoje, o Governo gaúcho está particularmente interessado na produção, pois a localidade é a região menos desenvolvida em agricultura do Estado e tem condições favoráveis para grandes plantações, sem contar o potencial de sinergias com a indústria do vinho que pode ser estabelecido.
Espaço para crescer é o que não falta. O Brasil, na melhor das hipóteses – não há estatísticas oficiais – produzirá algo em torno de 80 mil litros de azeite, uma gota no oceano de 80 milhões de litros de óleo de oliva consumidos anualmente no país, todo importado principalmente de Portugal e Espanha. Movimentando mais de R$ 1 bilhão, o mercado brasileiro triplicou na última década e ocupa hoje a 10ª posição no ranking global. Como o consumo per capita é de ínfimos 350 ml, contra 62 litros dos gregos, os campeões absolutos, acredita-se que o Brasil possa ficar entre os cinco maiores clientes de azeite do mundo, caso de aproxime da média anual de 1 litro por habitante dos Estados Unidos.
Para perseverar no mundo do azeite, porém, é preciso alguma dose de ousadia. “Apesar de a Embrapa não ter recomendado essa região, arriscamos o plantio em Barra do Ribeiro, perto de Porto Alegre, e pelo segundo ano consecutivo ele foi a salvação da lavoura. Nossa expectativa é produzir até 15 mil litros de azeite em 2016”, explica o produtor do azeite Prosperato, Rafael Marchetti, cuja família tem forte atuação no segmento de pinus e eucaliptos. O pomar principal da empresa fica em Caçapava do Sul, mais próxima da fronteira do Uruguai que, apesar das condições mais favoráveis para as oliveiras, enfrenta dois anos seguidos de problemas na safra.
Tropical e irreverente
Os efeitos do plantio nos biomas brasileiros são ainda incertos e levará algum tempo para saber exatamente o seu potencial produtivo. Na gastronomia, a curiosidade fica por conta dos sabores característicos que poderão estabelecer um futuroterroir brasileiro. Além disso, a possibilidade de mesclas inusitadas abre uma frente nova para o azeite feito aqui. A regra é experimentar sem preconceitos.
“O azeite brasileiro é atrevido mesmo. Os produtores aprendem fazendo na prática e já se começa a perceber notas muito particulares de sabor, como a goiaba, algo totalmente novo no repertório sensorial do azeite”, afirma Marcelo Scofano, degustador profissional e professor de gastronomia do Senac Rio. No ano passado, o “azeitólogo”, como se define, foi à Espanha com a mala cheia de rótulos brasileiros para a principal exposição de azeites do setor em Jaén, o epicentro da olivicultura no mundo. “Os degustadores ficaram surpresos em ver uma variedade koroneiki com sabor tão marcante e feita fora da Grécia”, lembra.
Fato novo na indústria, a produção nacional também despertou a curiosidade dos italianos, cujo prestígio no azeite se equipara ao dos franceses no vinho. Flos Olei, um dos mais prestigiados guias de azeites do mundo, incluiu no final do ano passado pela primeira vez cinco rótulos brasileiros no ranking, que só publica produtores que atingirem notas de 80 a 100. Olivas do Sul, a melhor colocada, não superou os 85 pontos, mas já é um começo.
Antes de conquistar o mundo, é preciso primeiro cair no gosto do brasileiro, que ainda vê a novidade como algo um tanto exótico. Criar uma imagem positiva passa pelo crivo da qualidade. A Assoolive, entidade que reúne mais de 40 produtores das serras da Mantiqueira e da Bocaina, estuda para o ano que vem a criação de um selo de qualidade para a região, que seguirá critérios mais rígidos em relação à legislação atual.
A ideia é que todos os produtos passem por uma avaliação independente do painel oficial de degustadores do Uruguai. “Nosso objetivo é que o selo seja uma garantia de qualidade e ajude a criar a ‘marca’ da Mantiqueira como produtor de azeites muito bem feitos”, explica Carlos Diniz, presidente da organização e produtor em Gonçalves (MG). Enquanto os selos e os prêmios não aparecem, o azeite brasileiro conta com o entusiasmo de chefs que buscam introduzir um novo sabor na gastronomia de origem nacional.
*Arnaldo Comin é jornalista e proprietário da Rua do Alecrim Azeites e Gastronomia