O azeite de oliva é conhecido como um ótimo aliado contra o colesterol ruim e um grande amigo do bom funcionamento do coração. A produção em solo brasileiro ainda é pequena, mas já tem produtores investindo na plantação de oliveiras. Tem gaúchos, mineiros e, agora, paulistas que aproveitam a região da Serra da Mantiqueira. A oliveira foi se adaptando ao clima tropical e os cultivadores aprenderam a manejá-la.
OLIQ no Jornal da Record.
Uma correção à matéria: a classificação do azeite, de acordo com índice de acidez, segundo a legislação brasileira é a seguinte: igual ou menor que 0,8% - extravirgem; acima de 0,8% até 2% virgem; acima de 2%: impróprio para consumo ou lampante
A Serra da Mantiqueira reserva além de belas paisagens a produção de azeite. A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) pesquisa há mais de 30 anos a cultura da oliveira na região e em 2008 realizou em Maria da Fé a primeira extração de azeite de oliva no Brasil.
A prática é relativamente recente no estado, mas já colocou Minas Gerais na rota de produção da iguaria. São mais de 40 municípios do estado que cultivam a espécie de oliveira para extração do azeite. Boa parte dos produtores estão concentrados na região sul de Minas. Eles se organizaram e criaram a Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (Assoolive) em 2009 e desde então desenvolvem trabalhos em parceria com a Epamig.
Saiba quais são as cidades mineiras produtoras de azeite e as fazendas abertas à visitação de turistas:
Maria da Fé
A cidade foi a grande precursora da produção no Brasil. Situada a 467 km de Belo Horizonte, o município de Maria da Fé tem 15 mil habitantes e clima frio da Serra da Mantiqueira. Na cidade é possível encontrar oliveiras por toda a parte e esta é a grande aposta dos fazendeiros locais. Na cidade também está situada a Fazenda Experimental da Epamig, que o turista pode visitar acompanhado de um guia.
Alagoa
O município possui um projeto com o objetivo de promover o desenvolvimento rural sustentável e gerar trabalho e renda. O Projeto Oliveiras de Alagoa também tem o objetivo de fortalecer a economia local e agregar à agricultura familiar. Em Alagoa a primeira colheita foi na Fazenda Cauré e as azeitonas foram levadas para a Estação da Embrapa em Maria da Fé, onde foi produzido o primeiro azeite artesanal de Alagoa. Na cidade o turista pode conhecer a Rota do Queijo e do Azeite e conhecer mais de perto a produção das iguarias.
Aiuruoca
Na região de Aiuruoca, existe um projeto do produtor Nelio Weiss, que além da produção do azeite da marca Olibi criou também um projeto denominado Adote uma Oliveira, que consiste em uma ação para reflorestamento da região através do cultivo das oliveiras. Outros produtores em Aiuruoca apostam na atividade econômica da produção de azeite. Ângela Duvivier e Isabel Carneiro se dedicam ao cultivo da iguaria e a cada ano a colheita melhora e são produzidos milhares de litros de azeite para comercialização.
Delfim Moreira
Newton Litwinski e Fátima Garcia encontraram em Delfim Moreira uma nova vida e se aventuraram através da produção do azeite orgânico. Na Fazenda Verde Oliva os turistas podem agendar uma visita guiada para conhecer de perto a produção. O azeite comercializado leva o mesmo nome da propriedade.
Cristina
Na cidade de Cristina, um dos locais da produção de azeite é o Sítio Paiol Velho, da família de Luiz Menezes. A lavoura foi iniciada em 2007 e já conta com mais 750 pés em produção e quatro variedades de azeitonas. Os produtos extraídos na fazenda já chegaram à Espanha e a Grécia, e foram bem avaliados de acordo com a proprietária Zilda Maria Maciel.
Andradas
A produção em Andradas também ganhou destaque nacional. O Azeite Borriello é produzido por Carla Retuci, que largou o mercado financeiro para fazer azeite com o marido Mário Retuci. A iguaria é produzida na Fazenda Três Barras Castanhal, em Andradas. A fazenda é aberta para a visitação e os turistas podem conhecer de perto a produção.
Tipos de azeite
O número de etapas de refinamento pelas quais as azeitonas passam é que definem o tipo do azeite. Essa fase do processamento altera a acidez do óleo, ou seja, a sua qualidade. Quanto menor a acidez mais benefícios ele terá.
Azeite Extra Virgem: gordura obtida a partir do fruto da oliveira através de processos exclusivamente físicos, sem adição de produto químico e obtido com acidez não superior a 0.8%.
Azeite Virgem: gordura obtida a partir do fruto da oliveira através de processos exclusivamente físicos, sem adição de produto químico e obtido com acidez não superior a 2%.
Cosméticos a base de azeite
Idealizada pelas farmacêuticas Andréia Machado e Vânia Gonçalves, a farmácia de Manipulação Farma Oliva desenvolveu uma linha de cosméticos Verde Oliva à base de azeite de oliva extraído da Fazenda Experimental de Maria da Fé, e inspirada nos costumes gregos e egípcios do uso do óleo de oliva para produção de beleza. São sabonetes hidratantes, esfoliantes, hidratante corporal, óleo trifásico, cremes para os pés, shampoos, condicionadores e também produtos da linha facial à base de extrato das folhas da oliva.
Estimativa é que sejam colhidas 400 toneladas de azeitonas na região. Previsão é que colheita deste ano gere 40 mil litros do produto.
A produção de azeite no Sul de Minas deve registrar safra recorde para 2017. A previsão da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) é que sejam colhidas 400 toneladas de azeitona e produzidos 40 mil litros do produto.
De acordo com o Ministério da Agricultura, o plantio de azeitonas em Minas Gerais representa 70% da área plantada no país. Além disso, das 63 espécies de azeitonas registradas no Brasil, 55 são de origem dos estudos feitos pela EPAMIG.
“É um mercado garantido. Então nós queremos que continue [assim]. A pesquisa vai continuar dando a sua contribuição.
Estimativa é que sejam colhidas 400 toneladas de azeitonas no Sul de MG (Foto: Reprodução EPTV/Edson de Oliveira)
Os últimos números mostram que a produção tem crescido em média 15% ao ano. Na região da Mantiqueira, no Sul de Minas, são mais de 100 produtores, distribuídos em 60 municípios.“Acreditamos que a partir desse momento novas oliviculturas surgirão”, disse Luiz Fernando de Oliveira, coordenador do Programa de Olivicultura da EPAMIG.
Além disso, o litro do azeite produzido na região é bem mais valorizado do que o importado. Custa, em média, cerca de R$ 200. Situação que tem despertado interesse no cultivo da azeitona. “Esse ano eu vou estudar bastante o assunto para ver se ano que vem a gente começa a produzir”, contou o fazendeiro Luiz Arantes.
Previsão é que colheita deste ano gere 40 mil litros de azeite no Sul de Minas (Foto: Reprodução EPTV/Edson de Oliveira)
Com o setor valorizado, teve quem saiu do Espírito Santo (ES) para acompanhar as novidades e técnicas de cultivo apresentadas na 12ª edição do “Dia do Campo”, realizado em Maria da Fé (MG). “Eu acho que vai dar certo. Vai depender agora do clima, vontade e coragem de iniciar um plantio desses na região”, disse o empresário Paulo Sandemberg.
Ainda segundo a EPAMIG, até hoje no Sul de Minas, são usadas apenas máquinas italianas. Entretanto, uma máquina de extração de azeite, a primeira fabricada no Brasil, pode baratear o custo de produção e movimentar ainda mais o setor. O gerente da empresa acredita que a redução no preço do equipamento pode chegar a 30%.
“Tem facilidade de manutenção na parte de limpeza, pois é um equipamento totalmente sanitário”, explicou Rudimar Fornari Huk.
Setor da olivicultura na Mantiqueira se reúne, nesta sexta-feira, 24
Belo Horizonte (20/03/2017) – Encontro tradicional será realizado no dia 24 de março, em Maria da Fé, no Sul de Minas Gerais. O 12º Dia de Campo da Olivicultura dos Contrafortes da Mantiqueira e a 2ª Mostra Tecnológica de Olivicultura devem reunir produtores de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro, especialistas, além de exposição de equipamentos e insumos para o setor e produtos derivados.
Nas estações de campo os interessados poderão obter informações, por exemplo, de como implantar um olival. "Vamos falar sobre a escolha da variedade de oliveira antes de iniciar o cultivo, características químicas do solo, adubação, controle de formiga, espaçamento, poda, entre outros fatores", explica o coordenador do Programa de Olivicultura da EPAMIG, Luiz Fernando de Oliveira.
A programação também inclui palestras sobre as perspectivas do setor e resultados de pesquisas em olivicultura desenvolvidas no Núcleo Tecnológico EPAMIG Azeitona e Azeite. A qualidade do azeite será tema de palestra inédita da sommelier Ana Paula Beloto. A especialista vai falar sobre o mercado da oliva e o consumo no Brasil.
As inscrições para o 12º Dia de Campo de Olivicultura são gratuitas e podem ser feitas no local do evento. Informações: cemf@epamig.br
Safra recorde
De acordo com o presidente da Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (Assoolive), Carlos Diniz, a estimativa para a safra 2017 é de 400 toneladas de azeitona e 40 mil litros de azeite. A safra, que teve início em janeiro, deve seguir na Mantiqueira até o final de março. "Temos percebido um aumento de área plantada de cerca de 15% ao ano, além de investimentos na manutenção dos olivais existentes e de instalação de novos lagares", explica. Atualmente, a área de oliveira na região Sudeste do Brasil é entre 1.600 e 1.800 hectares, sendo que 70% desta área está em Minas Gerais.
12º Dia de Campo de Olivicultura e 2ª Mostra Tecnológica de Olivicultura
Data: 24 de março de 2017
Horário: 8h às 12h
Local: Campo Experimental da EPAMIG em Maria da Fé - Rua Washington Alvarenga Viglioni, s/nº - Bairro Vargedo - Maria da Fé - MG
ÁREA PLANTADA – Estima-se que existam cerca de 1.600 hectares de oliveiras na região da Mantiqueira
Um dos maiores importadores de azeite do mundo, o Brasil vem conseguindo conquistar o mercado interno com a produção nacional. Pioneiros na fabricação da iguaria no país, os municípios da Serra da Mantiqueira – maioria em solo mineiro – devem ter safra recorde este ano e produzir a maior quantidade do óleo vegetal extravirgem da história.
A expectativa é colher 400 toneladas de azeitonas e entregar 40 mil litros de azeite, quase o dobro da safra passada, mas ainda assim uma pequena escala, o que impacta diretamente no preço. Comercializados geralmente em embalagens de 250 ml, os azeites mineiros custam a partir de R$ 40 e só são encontrados em empórios e lojas especializadas.
Existem no mercado cerca de 20 marcas mineiras de azeite, vendidas no Estado e em São Paulo
De acordo com o pesquisador Luiz Fernando de Oliveira da Silva, coordenador do Programa de Olivicultura da Epamig em Maria da Fé (Sul de Minas) – berço dessa atividade no Estado –, o aumento da produção deve ser gradativo porque tem relação direta com a maturidade da planta. O desenvolvimento de tecnologias também ajuda.
“Trabalhamos para solucionar problemas pontuais, criando mudas de melhor qualidade, variedades adaptadas às nossas condições climáticas e técnicas corretas de manejo da planta”, enfatiza o pesquisador da empresa governamental de pesquisa, apostando no aumento exponencial das próximas safras.
As azeitonas são colhidas em fevereiro e março, quando são produzidos e vendidos os azeites
Diferencial
O foco dos produtores de azeite da Mantiqueira é a qualidade do produto. “A concorrência acontecerá não pela quantidade produzida, mas pela qualidade do produto feito aqui”, observa o pesquisador.
Produtor e presidente da Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (Assoolive), Carlos Diniz explica que o diferencial do azeite fabricado na região é o frescor.
A produção em menor escala garante um óleo mais jovem e, portanto, mais saboroso e rico em propriedades que acentuam o sabor, por exemplo. “Fazemos a extração de forma rápida e partimos para a comercialização em seguida. O mesmo não acontece com produtos importados. Essa é a vantagem em relação ao sabor e aos aromas”, detalha.
A quantidade de azeitona para fabricar azeite depende do clima. Em média, são dez quilos de fruto para cada litro do óleo. Em Minas estão concentradas 40 das 60 cidades da Serra da Mantiqueira, que se estende ainda por Rio e São Paulo
Sobra da produção vira cuidado natural com a pele
A produção de azeite na Mantiqueira tem impulsionado a fabricação de outros derivados do fruto. Em Maria da Fé, no Sul de Minas, os resíduos da indústria do óleo vegetal e as sementes de azeitona trituradas deram origem ao ganha-pão da farmacêutica Vânia Gonçalves, que viu no produto abundante na região um nicho de negócio.
Há cerca de três anos, ela criou a Saboaria Jardim Secreto, onde produz de forma artesanal sabonetes esfoliantes e hidratantes e aromatizadores de ambiente. Todo mês, a matéria-prima adquirida sem custos da Epamig dá origem a uma média de 50 sabonetes de 100 gramas, vendidos a R$ 8 cada unidade. A farmacêutica já planeja abrir uma loja.
Saboaria Jardim Secreto/Divulgação
100% NATURAL – Em Maria da Fé, resíduos da fabricação de azeite e da trituração da semente da azeitona dão origem a sabonetes e aromatizadores de ambiente
“Na Europa, onde a produção de azeitonas é muito intensa, já se utiliza esses resíduos para fabricação de cosméticos. Além de antioxidante, o fruto é rico em vitaminas E e C, ajuda a clarear a pele e a estimula a renovação celular. Todos os insumos que uso são 100% naturais e não agridem o meio ambiente”, detalha Vânia, que está patenteando a fórmula.
No próximo dia 24 acontece o 12º Dia de Campo de Olivicultura, no Campo Experimental da Epamig em Maria da Fé. O evento reunirá pesquisadores, técnicos, olivicultores e empresários interessados no setor.
Quase todo a produção de azeitonas da Serra da Mantiqueira é voltada para o processamento de azeites finos, classificados como gourmet; as plantas se tornam mais produtivas a partir dos quatro anos e atingem o pico da maturidade entre dez e 12 anos
Luiz Fernando Oliveira/Divulgação
TOP DE LINHA - Cor esverdeada e frescor são características mais marcantes da safra da Mantiqueira
Além disso
A fartura do fruto da oliveira tem sido incremento e tanto na produção dos chocolates fabricados pela doceira Ana Lúcia Ribeiro Silva, sócia-proprietária da Chocolate Tentação, em Maria da Fé. Há 15 anos, ela produz artesanalmente barras de chocolate, ovos de Páscoa, bolos e doces. Há quatro, descobriu um ingrediente inusitado que tornaria as receitas diferentes de tudo o que já havia visto: o azeite.
O ingrediente é misturado ao cacau e dá origem a barras maciças, com sabor acentuado do óleo. “Fui convidada para participar de um festival gastronômico na cidade e tive que inventar alguma coisa para levar, já que meu prato era doce. Sabia do uso de óleo de canola para afinar o chocolate, então tive a ideia de substituí-lo pelo azeite”, conta, relembrando a origem da receita exótica. A invenção deu tão certo que ela recebe encomendas até de turistas.
As azeitonas, além de darem origem ao tradicional azeite, são matéria-prima usada para curar queijos e adubar bonsais da planta. O trabalho é realizado por Marcelo Bonifácio, proprietário da Fazenda Maria da Fé. Desde 2015, quando adquiriu a propriedade, ele fabrica o óleo extravirgem, usado também nos queijos, e utiliza o resíduo da produção: o bagaço da azeitona vira composto orgânico para adubação.
Começou a temporada das azeitonas na Serra da Mantiqueira e junto com ela estão chegando às prateleiras os "novellos", como são chamados os azeites sem filtragem e com frescor retumbante, os primeiros da colheita; a safra no Sudeste promete ser cinco vezes maior que a do ano passado.
As constantes chuvas nos contrafortes da Mantiqueira fizeram as azeitonas amadurecerem mais cedo e a colheita foi antecipada. Há mais de uma semana vários produtores começaram a tirar o fruto do pé em cidades na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, e a vantagem é do consumidor: algumas marcas decidiram envasar azeite sem filtragem, que já podem ser comprados.
Colheita de azeitonas na Serra da Mantiquiera Foto: Hélvio Romero|Estadão
Esse tipo de azeite, chamado de novello na Itália, é um líquido que, sem decantação ou filtragem, ainda guarda resíduos da massa da azeitona, o que diminui sua vida útil. Possui validade de até quatro meses, mas o frescor e a intensidade de sabores e aromas das azeitonas mais verdinhas valem a compra.
Na Mantiqueira, as marcas Oliq (SP) e Maria da Fé (MG) estão lançando neste ano os seus rótulos sem filtragem, com edição limitada: o Novíssimo (da Oliq) e o Nuovo (Maria da Fé) podem ser comprados com os produtores ou na Rua do Alecrim, loja de São Paulo que neste sábado realiza uma degustação gratuita em primeira mão desta safra na capital.
Outra marca que apostou nesse tipo de azeite no ano passado e vai repetir a empreitada é a gaúcha Ouro de Sant’Ana, cujo Novello pode ser reservado para a primeira semana de março, já que a colheita no Sul (outra região produtora) começa no fim de fevereiro.
Filtrado ou não, o fato é que, quanto mais fresco um azeite, melhor. Mesmo que você não compre essas primeiras extrações da azeitona, dentro de dois meses os azeites decantados já estarão nas prateleiras, tendo a vantagem do curto espaço entre a produção e a comercialização. Como a safra dos europeus é no fim do ano – e eles atravessam o Atlântico para chegar à nossa mesa –, nunca estarão tão frescos quanto o produto nacional.
Por aqui, há relatos de que mudas de oliveira tenham chegado na década de 1940, em Maria da Fé (MG), local onde só em 2008 a Epamig (empresa agropecuária de Minas) extraiu o primeiro azeite nacional do século 21. Assim, a produção brasileira ainda está engatinhando aos olhos do mundo: a maioria das oliveiras são jovens, não chegaram ao ápice de produtividade, o que ocorre a partir do sexto ano, e os olivicultores ainda estão aprendendo a lidar com o negócio e o clima.
Mas a safra deste ano é promissora e anima quem está no ramo, principalmente no Sudeste. É que por aqui fatores climáticos destruíram a safra do ano passado e a expectativa para agora ficou em cinco vezes o tamanho da produção de 2016.
“Ainda é difícil dizer o que aconteceu em 2016, mas uma das causas é que não tivemos horas suficientes de frio para a florada. Mas há variáveis que a gente ainda não domina”, afirma o olivicultor Carlos Diniz, presidente da Assoolive (Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira).
Foto: Hélvio Romero|Estadão
Segundo a Assoolive, a produção na Mantiqueira caiu de 25 mil litros de azeite em 2015 para 7 mil em 2016. Neste ano, a estimativa são mais de cinco vezes esse volume: 40 mil litros. No Sul, onde o clima é mais propício para o cultivo (mais frio e menos chuvoso), as últimas safras evoluíram gradativamente, apesar de relatos de problemas com granizo. Alguns produtores estimam dobrar a produção, como a gaúcha Ouro de Sant’Ana, que deve pular dos 3.000 litros de 2016 para estimados 7.000 litros neste ano.
Se não houver grandes estragos provocados pelo clima, a produção deve continuar crescendo, até se saber a real produtividade das oliveiras em cada região. Ainda que com a quebra de safra de 2016, as boas perspectivas do setor têm atraído gente nova ano após ano. Desta vez, a conceituada vinícola Guaspari, que colhe azeitonas em caráter experimental desde 2010, promete lançar até maio o seu azeite da Mantiqueira.
A Serra da Mantiqueira, a ‘Toscana brasileira’, marcada por montanhas de clima frio, vive uma espécie de corrida do ouro: hoje, são quase 80 produtores na região, que conta com ao menos 13 lagares – maquinário para extração do azeite; acompanhamos um dia na produção do azeite da marca Oliq.
São 7h da manhã, a neblina ainda recobre grande parte das montanhas em São Bento do Sapucaí (SP), e catadores ganham cestos para iniciar a colheita na fazenda da Oliq, marca de azeites da Serra da Mantiqueira que está em sua terceira safra. Os catadores levam o dia enchendo com as mãos os cestos e os levando ao lagar – nome que se dá ao lugar onde os frutos processados dão origem ao azeite.
Quanto mais rapidamente ele for extraído, melhor, para evitar a oxidação da azeitona e garantir a qualidade do líquido. Ao sair do maquinário, ele é verde, ainda com concentração de massa orgânica, mas ganha tons dourados com o tempo.
Paladar acompanhou o processo na semana passada, colhendo azeitonas com as mãos sem luvas, já que os galhos da oliveira não machucam, e provando a primeira extração das azeitonas verdinhas direto da torneira. “Quanto mais verde a azeitona, menor o rendimento e mais caro o azeite, mas melhor ele é”, diz Vera Masagão, sócia da Oliq ao lado de Antônio Batista e Cristina Vicentin.
Na Europa, a indústria geralmente colhe a azeitona bem madura, para o rendimento ser maior, resultando no azeite de sabor adocicado que estabeleceu um padrão de gosto ordinário no Brasil e em outros países.
Na Oliq, o maquinário italiano (que processa 400 kg de azeitonas por hora) também é alugado para processar azeitonas de outros produtores. No dia da visita, a vinícola Guaspari havia chegado para a sua sexta extração desta safra, que começou na Mantiqueira dias antes.
Além da Oliq, fazendas como a Maria da Fé, que fica na cidade mineira de mesmo nome, também possui lagar próprio, italiano, que processa 200 kg/hora. Predominam azeitonas da variedade italiana grappolo (70% dos cerca de 50 mil pés) – já entre os 10 mil pés da Oliq a maioria é da espanhola arbequina.
Mas tanto na Maria da Fé quanto na Oliq, para fazer o azeite do tipo novello é usada a arbequina. Por ser uma azeitona mais frutada e suave, pode ter seus aromas e sabores potencializados nessa primeira extração, o que não combina com azeitonas que já são naturalmente mais amargas e picantes.
A arbequina é também maioria nas plantações dos quase 80 olivicultores que se espalham pela Mantiqueira e chegam à Bocaina, região de clima montanhoso que já ganhou apelido: Toscana brasileira. Por ali, são 13 lagares em operação, que processam de 100 kg/hora a 1.000 kg/hora e aliam a produção ao turismo, com visitação aberta.
“Está cedo para vermos o que vai acontecer. Pode ser que um dia a gente tenha cooperativa para processar pequenas produções, como no café. Mas primeiro precisamos cuidar do ator principal, a azeitona, né?”, diz Carlos Diniz, da Assoolive (Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira).
Para o degustador profissional Paulo Freitas, o modelo de cooperativa pode ajudar a baratear os custos de produção e o valor do azeite. “Ainda está muito caro, até porque as oliveiras não atingiram seu ápice. Daqui a alguns anos, é normal que o preço fique na faixa de R$ 40 a garrafa de 500 ml, não a de 250 ml. Pensar hoje em pagar R$ 80 por 500 ml no Brasil é bater de frente com os azeites mais conceituados do mundo.”
Foto: Hélvio Romero|Estadão
O sabor do azeite nacional
A maior qualidade do azeite brasileiro é seu frescor, defendem especialistas. Com o intervalo curto entre produção e comercialização, os consumidores podem ter um produto mais jovem do que muitos dos seus pares. Mas já dá para falar em terroir e notas sensoriais que caracterizam o País ou as regiões produtoras?
Ainda é cedo, já que há poucas safras avaliadas, mas o tema está sendo estudado por Marcelo Scofano, degustador profissional que vem provando azeite nacional desde 2009. Ele estuda a variedade arbequina, a mais plantada no País, comparando azeites feitos na Mantiqueira, no Sul e no seu berço histórico, a Espanha. Segundo ele, a arbequina da Mantiqueira resulta num azeite mais frutado maduro, enquanto a do Sul traz notas um pouco mais herbáceas. “Mas o Brasil dificilmente fará azeite de herbáceo intenso, por conta do alto índice pluviométrico. No Sul, com menos chuva e mais frio, ele é um pouco mais herbáceo.”
Outras azeitonas vão dar azeites mais intensos, com mais amargor e picância (duas qualidades que devem constar de qualquer azeite extravirgem, em maior ou menor grau), o que pode orientar seu uso na cozinha. “A arbequina dá um azeite mais suave e aromático, adequado para saladas. Já koroneiki e picual, que trazem mais amargor e picância, vão bem com pratos mais elaborados e condimentados, como bacalhau e pizza de calabresa”, diz Paulo Freitas.
O primeiro concurso nacional
O Ministério da Agricultura está à frente do primeiro concurso de azeites nacionais, criado para fomentar o setor e que deve ocorrer em junho em Bagé (RS). O edital pode sair nos próximos dias, mas os organizadores no Sul ainda esperam a liberação dos R$ 100 mil pedidos para que as inscrições sejam abertas. O dinheiro inclui o deslocamento dos degustadores, já que estão na lista três estrangeiros (portugueses e espanhol) e oito brasileiros, incluindo os degustadores profissionais Marcelo Scofano, do Rio de Janeiro, e Paulo Freitas, de São Paulo.
Onde comprar
Oliq Novíssimo, R$ 48 na Rua do Alecrim (tel. 5087-8937)
Maria da Fé Nuovo, R$ 48,70 na Rua do Alecrim
Ouro de Sant’Ana Novello (encomendas pelo site www.ruadoalecrim.com.br, previsão de chegada na primeira semana de março)
DEGUSTAÇÃO GRATUITA
Oliq e Maria da Fé, no sábado (11), das 10h às 18h,
Se diversificar a produção era o tema de casa, São Sepé vem cumprindo a risca o projeto de oferecer aos produtores – em especial aos pequenos – alternativas para novos cultivos. Depois de fomentar a produção das videiras (em processo de consolidação frente as recentes edições da Festa da Uva) o município agora fortalece outro elemento da cadeia produtiva: as oliveiras.
Em recente viagem à capital gaúcha, o prefeito Léo Girardello e o vice-prefeito, Kéio Santos, anunciaram a sinalização positiva do Governo do Estado para que o município sedie a Abertura Oficial da Colheita de Oliva. O evento que reúne autoridades estaduais – e que pode ter a presença do Governador José Ivo Sartori – deve acontecer em uma propriedade localizada às margens da BR-290, com expectativa para o dia 15 de março.
Léo destacou que atualmente o município sepeense ocupa a quinta posição em área plantada da variedade. A planta que produz azeitonas tem encontrado na região central solo fértil para o desenvolvimento. Um bom exemplo está na vizinha Caçapava do Sul, onde a produção é ainda maior.
Na próxima semana uma equipe da secretaria de agricultura do RS deve visitar o município para analisar o local do evento. A notícia foi comemorada pelas autoridades do município que avaliam que a realização da ação pode aumentar o destaque da cidade na produção de oliveiras, bem como, despertar o interesse de novos produtores e empresários. Fonte: A.I. Prefeitura de São Sepé
Pelo menos duas empresas entraram em contato com a Embaixada argelina para viabilizar o acesso ao mercado brasileiro
POR REDAÇÃO GLOBO RURAL
Agroindústrias da Argélia estão interessadas em exportar produtos para o Brasil. De acordo com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, pelo menos duas empresas procuraram a Embaixada do país em Brasília, na tentativa de ter acesso a importadores nacionais. Tâmaras, azeite de oliva, pimenta, ervilhas e alcachofra estariam entre os produtos que os empresários argelinos querem oferecer aos consumidores brasileiros. “Importadores interessados em trabalhar com esse tipo de produto podem entrar em contato com essas empresas”, diz Chafik Kellala, primeiro secretário da embaixada da Argélia, conforme divulgado pela agência de notícias da Câmara Árabe. No ano passado os brasileiros importaram US$ 1,62 bilhão em produtos da Argélia, uma queda de 10% em relação a 2015. As exportações brasileiras ao país árabe somaram US$ 1,063 bilhão.